Processar um banco pode ter custo inicial baixo ou nenhum, dependendo do caminho. No Juizado Especial Cível, não há custas na primeira instância (Lei 9.099/1995, art. 54) e, até 20 salários mínimos, é possível ir sem advogado; acima disso e até 40, o advogado é obrigatório. Na Justiça Comum, há custas judiciais, que podem ser dispensadas com a gratuidade de justiça. Os honorários do advogado são combinados em contrato — valor fixo, percentual sobre o que for recebido (êxito) ou modelo misto — e a OAB/RJ publica uma tabela de referência. Há ainda o risco de sucumbência na Justiça Comum, se a ação for perdida.
Descontos indevidos, golpes, negativação, juros abusivos: os problemas com bancos são frequentes, mas muita gente desiste de agir por medo do custo. Este artigo mostra quanto pode custar um processo contra banco, como os honorários costumam ser cobrados e como avaliar se vale a pena.
Os caminhos possíveis e seus custos
| Caminho | Custas | Advogado | Risco de sucumbência |
|---|---|---|---|
| Reclamação no banco, ouvidoria, Banco Central, consumidor.gov.br | Gratuito | Não obrigatório | Não há |
| Juizado Especial Cível (até 20 SM) | Sem custas em 1º grau | Facultativo | Não há em 1º grau, salvo má-fé |
| Juizado Especial Cível (20 a 40 SM) | Sem custas em 1º grau | Obrigatório | Não há em 1º grau, salvo má-fé |
| Recurso no Juizado | Preparo (custas do recurso), salvo gratuidade | Obrigatório | Recorrente vencido paga honorários |
| Justiça Comum | Custas iniciais, salvo gratuidade | Obrigatório | Sim |
Leia processar banco no Juizado Especial e como entrar na Justiça contra o banco.
Antes do processo: as vias gratuitas
Muitos problemas se resolvem sem ação judicial, e esses registros fortalecem o processo se ele for necessário:
- SAC do banco, com número de protocolo;
- ouvidoria do banco, que tem prazo regulamentar para responder;
- reclamação no Banco Central (pelo site do BC);
- consumidor.gov.br, plataforma pública de solução de conflitos;
- Procon-RJ.
Leia ouvidoria do banco e reclamação no consumidor.gov.
Juizado Especial Cível: quando compensa
O Juizado é indicado para causas de menor complexidade e valor até 40 salários mínimos. Vantagens:
- sem custas em primeira instância;
- procedimento mais simples e rápido;
- possibilidade de acordo na audiência de conciliação.
Limitações:
- não admite perícia complexa — casos que exigem perícia contábil detalhada (como revisões de contratos com cálculo complexo) podem ser extintos e precisar ir à Justiça Comum;
- limite de valor;
- para recorrer, é preciso advogado e, em regra, pagar o preparo.
Justiça Comum: custos e gratuidade
Na Justiça Comum (Varas Cíveis), há custas iniciais e taxa judiciária, calculadas pela tabela do TJRJ conforme o valor da causa, além de eventuais despesas com perícia. Quem não pode pagar sem prejuízo do sustento pode pedir gratuidade de justiça (CPC, arts. 98 e 99), que abrange custas, taxas e honorários de perito, entre outros.
Sucumbência: na Justiça Comum, quem perde paga os honorários do advogado da outra parte, em regra entre 10% e 20% sobre o valor da condenação ou da causa (CPC, art. 85). Se o autor tiver gratuidade, a cobrança fica suspensa por até cinco anos, salvo se a situação financeira mudar.
Como os honorários costumam ser cobrados em ações contra bancos
| Modelo | Como funciona | Quando é comum |
|---|---|---|
| Valor fixo | Preço definido pelo serviço, às vezes parcelado | Casos mais simples, notificações, acordos |
| Êxito | Percentual sobre o valor efetivamente recebido | Indenizações e devoluções de valores |
| Misto | Parte fixa inicial e parte de êxito | Casos com mais trabalho ou risco |
| Por etapa | Valores para a fase inicial, recurso, execução | Processos longos |
Os honorários de sucumbência, fixados pelo juiz e pagos pelo banco quando perde, pertencem ao advogado (Estatuto da Advocacia, art. 23), e o contrato deve deixar clara a relação entre eles e os honorários contratuais.
Em respeito às regras de publicidade da advocacia, o E. Fontes Advocacia não divulga valores de honorários no site. A proposta é feita por escrito, após a análise dos documentos.
O que influencia o custo do processo
- Valor envolvido: descontos de pequeno valor versus fraudes de valores altos.
- Necessidade de perícia: grafotécnica (assinatura falsificada), contábil (juros).
- Número de bancos envolvidos.
- Urgência: pedido de suspensão de descontos, de retirada de negativação.
- Recursos: bancos costumam recorrer, o que prolonga o processo.
Vale a pena processar o banco?
Para decidir, considere:
- O valor do prejuízo (descontos, transferências, juros cobrados a mais).
- A possibilidade de devolução em dobro, nos casos de cobrança indevida. Leia devolução em dobro do banco.
- A possibilidade de danos morais, que não são automáticos. Leia danos morais contra banco: valor.
- A qualidade das provas que você tem.
- O custo e o tempo do caminho escolhido.
Em muitos casos de consignado não autorizado, golpe com falha de segurança do banco e negativação indevida, a jurisprudência é favorável ao consumidor, com base no CDC (Súmula 297 do STJ) e na responsabilidade objetiva por fraudes (Súmula 479 do STJ). Mas cada caso precisa ser analisado com seus documentos.
Documentos que reduzem o trabalho (e o custo)
- extratos bancários com os descontos ou transferências;
- contrato questionado (ou a negativa do banco em fornecê-lo);
- protocolos de reclamação;
- boletim de ocorrência, em caso de golpe;
- histórico de créditos do INSS, para aposentados;
- relatório do Registrato do Banco Central. Leia como usar o Registrato.
Exemplos práticos (hipotéticos)
Desconto de tarifa indevida de pequeno valor. Reclamação no banco e no consumidor.gov.br; se não resolver, Juizado Especial, possivelmente sem advogado.
Consignado não autorizado em benefício do INSS. Ação com pedido de suspensão imediata dos descontos, devolução em dobro e danos morais. Pode tramitar no Juizado ou na Justiça Comum, conforme o valor e a necessidade de perícia.
Golpe com transferências de valores altos. Ação na Justiça Comum, com discussão sobre falha de segurança do banco, possivelmente com perícia.
Erros comuns
- Não reclamar antes no banco e nos canais oficiais.
- Escolher o Juizado em caso que exige perícia complexa.
- Assinar contrato de honorários sem entender o percentual e a base de cálculo.
- Aceitar acordo sem calcular a devolução em dobro.
- Perder prazos de prescrição.
Perguntas rápidas
Preciso pagar algo para entrar com ação no Juizado? Não há custas em primeira instância. Despesas podem surgir se houver recurso.
Se eu perder no Juizado, pago o advogado do banco? Em primeira instância, não, salvo litigância de má-fé.
Posso cobrar do banco os honorários que paguei ao meu advogado? A jurisprudência é dividida e restritiva quanto ao ressarcimento dos honorários contratuais; os de sucumbência são fixados pelo juiz.
Checklist antes de contratar um advogado para processar o banco
- Confirme a inscrição do advogado na OAB pelo Cadastro Nacional dos Advogados.
- Peça a análise prévia dos documentos e uma explicação sobre a viabilidade e os riscos.
- Pergunte qual será o caminho (Juizado ou Justiça Comum) e por quê.
- Leia o contrato de honorários com atenção à base de cálculo do êxito: incide sobre o total recebido? Inclui danos morais e devolução?
- Entenda o que acontece se o banco propuser acordo.
- Combine a forma de comunicação sobre o andamento do processo.
Superendividamento: quando o problema é o conjunto das dívidas
Se o problema não é um desconto específico, mas o acúmulo de dívidas que compromete o mínimo existencial, a Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021) prevê um processo de repactuação com todos os credores, que pode começar por conciliação, inclusive em órgãos como o Procon e os centros de conciliação do Judiciário. Leia lei do superendividamento e repactuação de dívidas.
Advogado para processar banco no RJ
O E. Fontes Advocacia atua em ações contra bancos em todo o Rio de Janeiro — consignado indevido, golpes, negativação, juros abusivos —, com análise prévia de viabilidade e contrato de honorários transparente. Saiba mais em advogado para processar banco.

